ComendoPipoca #02 – Diferentes visões da mesma história

O Rei Leão chegou às telonas em 2019 com uma adaptação super realista do clássico da Disney de 1994.  A obra original é uma das mais famosas quando se trata de desenho animado, lição e emoção, passada de geração para geração sem perder sua essência e sua importância. 

Depois de 25 anos da primeira produção, o remake de O Rei Leão chegou impressionando desde a primeira imagem divulgada, mas e o filme em si, será que impressionou mesmo? Será que superou a versão de 94? É sobre isso que vamos falar, nesse episódio, aqui no Megazord.

Live-action x animação

Na onda dos live actions sendo produzidos esse ano, a ideia do Rei Leão foi absorvida também como uma produção live-action, que eu gosto na verdade de chamar apenas de remake por não ter personagens humanos ou de certas formas, reais, envolvidos nas atuações. Todos os animais, os cenários desse remake do desenho de 94, são computadorizados, o filme é todo digital, por mais realista que seja. Tecnicamente falando temos então um remake com bastante fotorrealismo e não um live action.

Nessa onda realista é onde entra o destaque, o diferencial, o brilhantismo desse remake. É tudo intensamente semelhante ao real, desde os elementos da natureza assim como os animais. A riqueza visual trabalhada em O Re i Leão é de tirar o chapéu, não tem defeito. Os caras trabalharam intensamente desde as texturas, até o movimento dos músculos da pata quando o leão anda. Eu fiquei tão impressionada com essa realidade criada por computação que eu em determinada parte do filme fiquei tentando achar algo que me mostrasse que sim, era computação, porque se eu não soubesse que era, eu acreditaria de fato que estavam usando leões e cenários de verdade. Se tem um filme que eu posso usar como exemplo de perfeição quando se trata de criação, estética perfeita e fotorrealismo, com certeza, seria essa versão de O Rei Leão.

Ações realistas x emoções

O show do realismo nessa adaptação foi impressionante mas levou embora algo imensamente importante da versão original do filme: a emoção, os traços emocionais dos personagens, os momentos de surrealismo que transformavam O Rei Leão, em algo mágico, além da história perfeita.

Como esse remake se aproximou ainda mais da realidade, os animais automaticamente se comportaram de maneira realista. Sendo assim, um animal real não ri, não chora, não tem traços que demonstram sentimentos, felicidade, tristeza, medo, coisas que eram marcantes na produção de 94. Os personagens caricatos, se transformaram em animais mais secos, a cara deles é basicamente a mesma em todas as cenas nessa nova versão, colocando nas costas da dublagem toda a responsabilidade emocional do filme.

Eu particularmente percebi essa falta de emoção na cena da morte do Mufasa. No desenho de 94 o Simba fica visivelmente triste ao encontrar o pai morto, ele chora, o rosto dele tem uma expressão triste, é de partir o coração. A mesma cena, perfeitamente adaptada nessa nova versão em termos gerais, Simba não emociona, não chora, não tem carinha triste, a única coisa triste é a voz, o que não consegue transparecer sozinha o peso emocional dessa cena, sem uma ajuda visual.

Outro ponto que eu acho que acabou ficando negativo pela realidade dessa nova versão, foi o surrealismo nas cenas musicais. No desenho original as cenas musicais são mágicas! Os animais dançam, eles fazem coisas surreais, as cores mudam, é um espetáculo que complementa a música que já é boa. No realismo da versão atual, os animais apenas estão ali, apenas existem, afinal eles são reais demais para fazer acrobacias ou peripécias surrealistas, mesmo – eles sendo animais falantes e cantantes. Mais uma vez a jogada emocional, que nesse caso tem uma carga de emoção positiva como felicidade, empolgação, fica por conta da dublagem e da trilha sonora.

Dublagem

A dublagem como eu já afirmei neste episódio, é a responsável pela carga emocional do filme. Eu assisti a versão legendada, com a dublagem em inglês, onde Donald Glover e Beyonce carregaram a responsabilidade de guiar Simba e Nala (na fase adulta), fizeram isso absurdamente bem inclusive. JD McCary é o cantor mirim, que dubla o Simba na infância e também fez um trabalho muito bom, inclusive na cena da morte do Mufasa ele faz uma voz de choro, de decepção do Simba, mas a parte da expressão visual do leão, fez falta.

Timão e Pumba, tiveram diálogos ótimos, pra mim foram os melhores personagens desse remake. Com a maioria das falas engraçadas e eles em si, sendo animais visualmente mais engraçadinhos, essa falta de expressão facial não pesou muito neles, logo ficaram muito bons! Os dois introduzindo o Simba ao famoso ‘hakuna matata’, era a hora mais esperada do filme pra mim, eu basicamente dancei junto.

Personagens e o ciclo sem fim

Como resultado da perfeição realista os animais de um modo geral estão incrivelmente bem criados nessa nova versão do Rei Leão. A textura dos pelos, das penas, o abrir das asas, o movimento de cada animal de sua forma particular, está incrivelmente real e isso deixou o longa muito bonito! 

O Simba e a Nala filhotes estão as coisinhas mais fofas do mundo e a Nala inclusive ganhou um destaque maior nesse remake, com relação ao desenho de 94. Ela toma mais posições, tem mais falas, mais participação ativa.

Scar, continuou marcante nessa nova produção. Sombrio, com um ar de maltratado, o vilão da história estava espetacular. Inclusive, uma das partes musicais de Scar foi modificada nesse novo filme, tirando coisas que não soariam de forma sensata, nos tempos atuais. Acho genial quando se preocupam com isso, afinal é sinal de que se importam com as mudanças que o tempo exige e que uma geração precisa.

Outro destaque é que todo esse contexto do reino animal que trás a ideia central do filme, a importância do ciclo da vida ou ciclo sem fim, é representado de forma única e com muita vitalidade quando o pelo que solta da juba do Simba adulto sai voando e passando por diversos ciclos. Essa parte representada de forma realista, tanto cenário quanto os animais presentes nela, somou demais nessa nova produção.

Mas e ai, vale a pena?

Mas e ai Mari vale ou não vale a pena ir pro cinema para assisti o remake realista de O Rei Leão? Vale, vale muito a pena. Vai valer cada centavo do ingresso. A minha única ressalva é que você tenha visto o filme de 94, se não viu ainda, veja, de preferência antes do remake.

Existem diversas formas de se contar a mesma história, O Rei Leão de 94 vai te emocionar mais, vai te levar pra um mundo mais mágico, O Rei Leão de 2019, vai te mostrar como a realidade se adaptaria, a história.

1994 x 2019

Fizeram uma comparação muito interessante entre algumas cenas do filme de 1994, com as do remake de 2019. Dá pra se ter ideia do quão fiel ficou, essa nova versão se comparada a versão original: